A história da Escoliose


O termo escoliose é derivado do grego e significa curvatura.

Antigas referências indianas

O épico hindu Srimad Bhagwat Mahapuranam, que foi provavelmente composta entre 3500 a 1800 aC, faz referência a uma pessoa que pode ter tido escoliose. Kubja, um seguidor do deus Krishna, era descrito como um corcunda com uma espinha que foi deformada. A história explica como Krishna colocou suas mãos sobre Kubja, pressionando os pés para baixo e tracionando gentilmente o queixo para cima, e com isso foi capaz de endireitar sua coluna vertebral. E assim esta referência tão antiga para a doença também revela um tratamento precoce.

Medicina grega antiga

O antigo médico grego Hipócrates cunhou o termo escoliose. Ele fez pioneirismo no tratamento da doença, incluindo métodos como aplicação de tração axial e correção trans-abdominal. Seu trabalho estabeleceu as bases para a fundação da medicina ocidental.

Do século V ao XV

Pouco progresso se fez no tratamento das deformidades da coluna vertebral.

Paul de Aegina (625-690 AC) escreveu um tratado “Seven Books” ou “Sete Livros” uma luz em um período de trevas. Durante a idade média indivíduos com deformidades eram objeto de desprezo e escárnio, considerados uma forma de punição divina.

Ambroise Paré

Em 1510, o cirurgião francês Ambroise Paré defendeu o uso de extensão e pressão contra o corpo para tratar a escoliose. Ele sugeriu que os pacientes fossem tratados com um colete especialmente concebido de ferro acolchoado. Ele defendeu o uso de grandes forças e alavancas para contorcer o corpo. No entanto, pelos padrões modernos, ele foi negligente em sua compreensão da importância do pós-tratamento na saúde contínua do paciente.

André

Foi o primeiro a utilizar o termo ortopedia em 1741, escreveu sobre curvaturas da coluna, dando atenção especial a hábitos posturais  como medida preventiva e a coletes e exercícios como métodos de tratamento.

Lewis A. Sayre

Em 1878, Lewis A. Sayre, um cirurgião ortopédico, escreveu um livro chamado  “Spinal Disease and Spinal Curvature”ou “Doenças da coluna e a curvatura da coluna.” Em seu livro, ele argumentou que o método de tratamento superior para a doença seria ter pacientes suspender-se em uma jaqueta feita de gesso de Paris, uma idéia que ele tomou emprestado do Dr. Benjamin Lee e do Professor Mitchell, ambos da Filadélfia. As jaquetas seriam usadas diariamente durante uma série de exercícios.

Brackett and Bradford

Desenvolveram um quadro de tração horizontal com um “localizador” anexo, muito similar ao utilizado por Risser em 1952.

 Opções modernas de tratamento da escoliose

O tratamento atual  para a escoliose deve ser executado por uma equipe interdisciplinar e depende da severidade das curvas na coluna vertebral. Curvas de 10 a 20 ou 25 graus requerem exercícios fisioterapêuticos específicos para a escoliose e acompanhamento atencioso da equipe, principalmente quando as fases de “surto” de crescimento estão próximas. Já as curvas  25 a 40 graus requerem a utilização de coletes ortopédicos acompanhada necessariamente por exercícios fisioterapêuticos especializados com o objetivo de assegurar e oferecer o melhor tratamento possível. As curvas maiores, superiores a 45 graus do geralmente requerem intervenção cirúrgica.

Quando a cirurgia é necessária, os pacientes têm hastes metálicas inseridas nos ossos da coluna vertebral. Essas hastes, em conjunto com parafusos, ganchos e fios, podem corrigir a curva.

No século passado houve grande avanço na cirurgia que ganhou a mídia e uma das explicações para isso foi a falta de detecção precoce, de diagnóstico precoce, fazendo com que as escolioses ao serem detectadas já estivessem com graus cujo único tratamento possível fosse o cirúrgico.

O ideal, como nos afirmou o Dr Theodoros Grivas, médico especialista em tratamento da escoliose e uma das maiores autoridades no assunto é que:

“Se possa oferecer o melhor tratamento possível para o paciente de escoliose, desde a detecção precoce que pode ser feita pela triagem escolar, o tratamento precoce que começa pelos exercícios fisioterapêuticos especializados, os coletes macios, os coletes rígidos e no caso de necessidade a cirugia.
Sempre devemos pensar no futuro desse paciente, na sua qualidade de vida após o fim do tratamento, já que na maioria das vezes estaremos lidando com jovens e adolescentes.”

Fonte: Moe –  Scoliosis and other Spinal Deformities. W.B. Saunders Company, Philadelphia – USA 1978