Dores pelo uso do colete Milwaukee para escoliose: 23 anos depois

Dores pelo uso do colete Milwaukee para escoliose: 23 anos depois

Colete de Milwaukee para tratamento de escoliose idiopática do adolescente causa dor na idade adulta segundo pesquisa recentemente publicada.

Os resultados de um estudo retrospectivo forneceram aos clínicos dados confiáveis ​​sobre a incidência de dor e disfunção lombar e cervical no acompanhamento de longo prazo após completar um tratamento de escoliose com colete de Milwaukee. 

Foram analisados dados como dor nas costas e funcionalidade em mulheres adultas com escoliose idiopática adolescente (EIA), que haviam sido tratadas com o colete de Milwaukee, utilizando dados radiológicos, clínicos e sociodemográficos.  

O objetivo foi elucidar os resultados a longo prazo da relação da dor nas costas e do pescoço e funcionalidade em um grupo de pacientes tratados com o uso do colete Milwaukee durante a adolescência. 

Este estudo da função da coluna lombar e cervical, em um subconjunto altamente específico de pacientes, revelou que as pessoas com escoliose tratadas na adolescência com o colete de Milwaukee exibem limitações significativas nas atividades cotidianas, devido ao comprometimento causado pela dor na região lombar e no pescoço.  

Alguns dados:

30 (Trinta) pacientes pediátricas com escoliose idiopática - como indicado em Ortopedia Pediátrica e Tabelas de Traumatologia - e 42 (quarenta e dois) controles correspondentes à idade foram incluídos no estudo. A escoliose das pacientes foi gerenciada com o uso do colete de Milwaukee, que restringe o movimento e está associado à redução da atividade física.

As meninas tratadas haviam usado o colete por uma média de 22,9 ± 0,31 horas por dia e por um total médio de 45,47 ± 20 meses (intervalo 24-104). Meninas no grupo de controle foram seguidas para uma média de 27,77 ± 3,30 anos (intervalo 23-35). Do final do tratamento ao acompanhamento (follow up), houve aumento médio de ângulo Cobb de 9,1 ± 7,64 na variação da curvatura da coluna vertebral (intervalo de 0-27) naqueles que haviam usado o colete.

Dores pelo uso do colete Milwaukee para escoliose

Os pacientes com escoliose relataram maior dor em geral e maior disfunção relacionada à dor nas costas e no pescoço em comparação com os controles (P <0,001), conforme avaliado com as seguintes ferramentas: Revised Oswestry Lower Back Pain Disability Index, Rolland-Morris Questionnaire, Quebec Back Pain Disability Scale, Neck Disability Index, and Copenhagen Neck Functional Disability Scale. Além disso, os participantes com escoliose que usaram o colete Milwaukee durante a adolescência relataram maiores limitações para se levantar, caminhar, viajar, sentar, permanecer de pé, na vida social e mudanças na intensidade da dor em comparação com controles saudáveis ​​(P <0,001).

Este estudo de longo prazo, que abordou as dores pelo uso do colete Milwaukee para escoliose, foi publicado em dezembro de 2017, onde os pesquisadores exploraram resultados de no mínimo 23 anos após a conclusão do tratamento com esta órtese.

Fonte:  Misterska E, Głowacki J, Okręt A, Laurentowska M, Głowacki M (2017) Back and neck pain and function in females with adolescent idiopathic scoliosis: A follow-up at least 23 years after conservative treatment with a Milwaukee brace. PLOS ONE 12(12): e0189358. 

Vale acrescentar alguns pontos: 

O colete de Milwaukee tem sido um padrão de tratamento não cirúrgico para escoliose desde 1954.

Muitos estudos foram realizados na década de 70.

Porém nos centros especializados de tratamento da escoliose na Europa outros coletes vêm sendo desenvolvidos e demonstrando eficiência já há muitos anos, resultando em um baixo índice de cirurgia.

Cabe aqui destacar e usar como referência atualizada quanto ao uso de órteses (coletes) para o tratamento da escoliose, o importante estudo realizado por Weinstein et al em 2013 que foi um divisor de águas a respeito da eficácia do colete no tratamento da EIA. 

Neste estudo nenhum dos coletes utilizados foi o de Milwaukee, demonstrando não fazer mais parte como instrumento terapêutico na atualidade.

O Instituto Brasileiro de Escoliose tem o compromisso de buscar e oferecer o melhor tratamento e a melhor informação sobre o tratamento não cirúrgico da escoliose

Também oferece as melhores recomendações de órteses (coletes) fabricados a nível mundial que atendam às mais modernas premissas de qualidade e eficiência 3D.

O Instituto Brasileiro de Escoliose oferece a melhor formação específica para os profissionais dedicados ao tratamento da escoliose com os cursos oficiais das certificações internacionais das Escolas de tratamento aceitas pela Sociedade Internacional de Tratamento Ortopédico e reabilitação da escoliose - SOSORT.

A ciência tem demonstrado uma evolução no campo do tratamento não cirúrgico da escoliose que precisa ser acompanhada e adotada por todos os profissionais envolvidos para o bem dos afetados pela EIA.

Que as reflexões sirvam de possibilidade de mudança em prol de tratamentos mais eficazes.

Link do estudo: Effects of Bracing in Adolescents with Idiopathic Scoliosis, Weinstein et al

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1307337

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