Fisioterapia e Tratamento Específico

This is box title
A fisioterapia para escoliose, através de exercícios fisioterapêuticos específicos, é a chave para a reabilitação eficiente.

Na verdade, a reabilitação, por definição, é focada na pessoa inteira. Não se trata de olhar apenas para a doença ou a deficiência que provoca, mas também (em particular) olhar para a deficiência e limitações de atividades, levando em consideração as limitações de participação, portanto a integralidade. Logo, em uma patologia músculo-esquelética como a escoliose, em que deficiências foram reconhecidas para além do mero estado de deformidade, e em que todos os tratamentos (a partir do colete ortopédico -órtese- até a cirurgia) causam problemas psicológicos, bem como deficiências físicas e funcionais (transitórios em caso do colete, definitivos em caso de cirurgia ), uma abordagem fisioterápica para ser eficiente tem que compensar, ou evitarse possível, os danos secundários: este é o tratamento através de exercícios fisioterapêuticos específicos.

Olhando para a escoliose como patologia, quando outras terapias ainda não são consideradas, o tratamento é principalmente o exercício como fator de prevenção da progressão da escoliose e deve ser aplicado cada vez que o risco de progressão é significativo. No entanto, o colete pode e/ou poderia ser evitado. Como Sibilla costumava dizer, “a escoliose deve ser tratada, passo a passo, mas o problema começa com o próprio exercício”.

Os exercícios fisioterapêuticos específicos para escoliose  devem ser empregados imediatamente após o diagnóstico e/ou fase de observação(?) e vir antes do colete.

Várias fórmulas têm sido desenvolvidas para calcular o risco de progressão da escoliose, mas  todas foram provenientes de populações de pacientes com alto grau de escoliose, com a prevenção da cirurgia sendo o foco principal. O objetivo com os exercícios deve ser o de evitar ou pelo menos adiar a órtese, e para chegar ao fim do crescimento com uma curvatura presumivelmente estável (tanto quanto possível, longe de 30 °, de modo que um valor entre 20 ° e 25 ° pode ser aceitável) . Porém, essas fórmulas não podem ser aplicadas para tudo e todos; e, para diminuir o risco de progressão sempre deve se considerar uma combinação de fatores, incluindo:

Evidências de progressão da escoliose vindo de radiografias e / ou alterações clínicas superior ao erro de medição conhecida (5 ° para radiografias, 2 ° para Bunnell, 3 mm de altura de giba);
– Os dados clínicos e radiológicos iniciais estão próximos dos limites aceitáveis previamente definidos (ou seja, em torno de 15 ° Cobb, ou 5 ° Bunnell, ou 5 mm de giba);  esses pontos devem ser considerados provisórios e precisam ser melhor compreendidos no futuro com novas investigações;
– Há um componente postural muito elevado, como evidenciado pela descompensação importante e / ou pelo Índice de Estética;
– Existem riscos elevados devido a outros fatores conhecidos de progressão, como uma história familiar de uma escoliose importante, costas planas, início da puberdade, etc.

Por outro lado, isto é, quando se olha para os mais altos limites do exercício para o tratamento, devemos considerar que, na medida como sabemos hoje, os exercícios não reduzem a curvatura (mesmo que recentemente inúmeras pesquisas tenham levantado algumas dúvidas sobre essa hipótese). {Obs/ estudos ainda não comprovam isso mas a prática muitas vezes nos diz o contrário}. Assim, os exercícios nunca devem ser propostos (em favor do uso da órtese), na presença de curvas de 30º a menos que o surto de crescimento da puberdade esteja muito longe no futuro e um importante componente postural for presumido, com o único objetivo de adiar (possivelmente evitar) o uso do colete. Além disso, os exercícios devem ser propostos quando há incertezas quanto à aplicação de uma órtese, mesmo em curvaturas superiores a 25 graus, e há a possibilidade de estabilidade, devido à ausência dos outros fatôres de progressão e uma idade relativamente avançada. Em tais casos, é importante decidir junto com o paciente e seu / sua família. Independentemente disso, devido ao curto período de investigação neste campo todos estes pontos terão que ser cuidadosamente estudados, revistos e refinados no futuro.

Quando um colete já foi prescrito, os exercícios são obrigatórios, a fim de evitar todos os efeitos colaterais do uso da órtese, para aumentar a sua função, e para permitir a estabilidade da coluna vertebral durante o período de desmame e quando o colete for retirado.

Acreditamos no tratamento conservador da escoliose. Isto não se trata apenas de vontade e fé, mas baseada em estudos científicos apresentados nos últimos anos, aliados a minha experiência de 15 anos  que mostram a eficácia do tratamento fisioterápico, que deve ser precoce, adequado e prolongado, como a seguir:

– A fisioterapia deve começar cedo, porque, se é verdade que quanto mais precoce a instalação da escoliose, maior será sua progressão. Devemos implementar também no início o programa terapêutico, principalmente na presença de sinais claros de progressão;

– A terapêutica deve ser adequada para evitar a gravidade e o potencial futuro da escoliose que temos de enfrentar, com opções que podem ir de exercícios para os coletes e, em seguida, para a escolha do tempo do uso do colete que também é muito importante.

– A fisioterapia deve ser prolongada até o final da maturidade óssea.

Para ser bem sucedido, o tratamento deve contar com a cooperação ativa de toda a equipe terapêutica: médico, fisioterapeuta e o técnico do colete (ortesista) e o psicólogo quando necessário.  A equipe inclui também, e acima de tudo, o jovem paciente e seu / sua família, cuja confiança e cooperação devemos conquistar. Esse é um requisito indispensável para o sucesso no tratamento.

Não podemos esquecer da utilidade e a necessidade da terapia cirúrgica nos casos mais graves. E, nesses casos, mais uma vez a fisioterapia se torna obrigatória nas fases pré e pós cirúrgicas assim como no decorrer de sua vida uma vez que deverá se adaptar à menor mobilidade da sua coluna e as necessidades funcionais da vida diária.

Estes são argumentos importantes para defendermos Os Exercícios Fisioterapêuticos Específicos (SEAS) no tratamento da escoliose.


CONHEÇA AS REFERÊNCIAS: