Como prevenir a escoliose, você já ouviu falar da telarca?

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Como prevenir a escoliose

A escoliose idiopática adolescente (EIA) é a deformidade mais comum da coluna vertebral, com prevalência na população de adolescentes de até 5,2%. E a maioria dos afetados são do sexo feminino.

Ela progride mais rapidamente durante o surto de crescimento próprio da puberdade.

Na nossa clínica, durante a entrevista que realizamos no primeiro atendimento, frequentemente ouvimos dos pais que se sentem surpresos e se lamentam por não terem percebido antes a escoliose de seus filhos.

Como poderiam perceber se tão pouco se fala e tão pouco conhecimento se propaga a respeito disso? Como prevenir a escoliose?

Talvez tudo isto poderia ter um outro desenlace ou direção se em algum momento houvesse a percepção da telarca e sua correlação com a escoliose.

A puberdade é a reunião dos fenômenos biológicos da adolescência, possibilitando o crescimento do corpo e a maturação hormonal que asseguram a capacidade de reprodução e de preservação da espécie.

A puberdade feminina

A puberdade feminina é constituída de uma sequência de sinais evidenciados no corpo:

A telarca

A telarca é o primeiro sinal da puberdade feminina. Consiste no aparecimento do broto mamário e ocorre entre 8 e 13 anos. 

A pubarca

A pubarca é o aparecimento dos pelos pubianos e axilares.

A menarca

A menarca é a primeira menstruação e ocorre dois a cinco anos após a telarca.

A telarca então é o primeiro sinal da puberdade feminina e a sua maior relevância está no fato de que geralmente ocorre 1 ano antes do pico de velocidade de crescimento da altura.

Então: a telarca é o referencial que pode nos advertir sobre o estirão de crescimento, com isto, permite a ação preventiva no tratamento da escoliose idiopática do adolescente, ou seja, como prevenir a escoliose.

Conhecer o momento do pico de crescimento fornece informações valiosas sobre a probabilidade de progressão (piora) da curva da escoliose.

Os dados relativos a parâmetros relacionados à velocidade de crescimento máximo da altura total do corpo e à progressão da curva em pacientes com escoliose idiopática do adolescente, entre eles a Telarca, são fundamentais tanto na detecção como na determinação da estratégia de tratamento ideal para pacientes com EIA e, portanto, na prevenção de complicações e melhora do prognóstico.

Como no Brasil não se realiza a triagem escolar da escoliose como política para sua detecção precoce, o médico pediatra tem papel fundamental quando avalia a maturação sexual. 

Nós do Instituto brasileiro de escoliose acreditamos que se os pediatras incluírem no seu exame de rotina de acompanhamento de crescimento a avaliação da escoliose, através do teste de Adam’s, terão importante participação na detecção precoce e assim promoverem ou exercerem grande influência nos resultados de tratamento da EIA. 

Então se vocês pais, tem filhas nesta idade não custa ficarem atentos a estes sinais (telarca) que podem predizer quando acontecerá o pico de crescimento e assim leva-las a um pediatra ou hebiatra para que estes efetuem o teste de Adam’s e verifiquem a correlação do crescimento com um possível aparecimento de uma escoliose.

Referencias:

Konieczny MR, Senyurt H, Krauspe R. Epidemiology of adolescent idiopathicscoliosis. J Child Orthop. 2013;7:3–9. doi:10.1007/s11832-012-0457-4.

Loncar-Dusek M, Pecina M, Prebeg Z. A longitudinal study of growth velocity and development of secondary gender characteristics versus onset of idiopathic scoliosis. Clin Orthop Relat Res. 1991. pp. 278–282. [PubMed]

Little DG, Song KM, Katz D, Herring JA. Relationship of peak height velocity to other maturity indicators in idiopathic scoliosis in girls. J Bone Joint Surg Am. 2000;82:685–693. [PubMed]

 

Tratamento de escoliose – Pacientes diferentes, tempos diferentes

escoliose tratamento 5 meses

O tratamento de Escoliose – Pacientes diferentes, tempos diferentes.

No ambiente do tratamento de escoliose, quase sempre encontramos proposições sem nenhuma base ou evidencia cientifica.

Milhares de vezes ouvimos a panaceia de que a única forma de tratamento eficiente é a cirurgia. Mais do que frequentemente profissionais envolvidos com este procedimento não levam em consideração que esta proposição já tem mais de 40 anos – mesmo querendo travesti-la de cirurgia minimamente invasiva –  e o tratamento evoluiu no seu tipo e forma.

Vide publicação no SRS (Scoliosis Research Society) Position Statement – Screening for the Early Detection for Idiopathic Scoliosis in Adolescents SRS/POSNA/AAOS /AAP Position Statement

Da mesma forma, encontramos profissionais que acreditavam estar se aprimorando num método de trabalho que se aplica genericamente a muitas alterações e que de forma nada científica propõe um tratamento para a escoliose, lamentavelmente estes métodos ou técnicas não específicas não se sustentam sobre base científica.

Muitas vezes os pacientes que precisam de um tratamento recorrem, por desconhecimento, a profissionais não capacitados e/ou qualificados como é recomendado nos consensos científicos. Para estes reconhecer que seu tratamento está mal conduzido é difícil, se apegam a ele como se se trata-se do último salva-vidas do navio naufragado.

Está mais do que na hora que tanto os profissionais como os pacientes despertem a esta nova realidade. 

Os Exercícios Fisioterapêuticos Específicos para Escoliose (SSE Scoliosis Specific Exercices) são a base do tratamento eficiente e com sustentação cientifica, também o uso de uma órtese de última geração 3D Cad/Cam (Com base no  SRS and Sosort Criteria) permite obter os melhores resultados. Veja link externo

Dentro de tantos de nossos pacientes atendidos, queremos apresentar 4 casos que tem uma relação direta com o título deste post.

 

Caso 1> Adolescente sexo feminino, 12 anos + 2 meses, no início do tratamento,

Escoliose com + de 50 graus Cobb. Paciente e pais se recusando a fazer a cirurgia.

Intervalo entre o primeiro registro e o atual = 18 meses

Tratamento de escoliose sem cirurgia

 

Caso 2 > Adolescente sexo feminino, 13 anos + 5 meses no início do tratamento,

Escoliose com mais de 50 graus Cobb. Paciente e pais se recusando a fazer a cirurgia.

Intervalo entre o primeiro registro e o atual = 5 meses

 

 

Caso 3> Adolescente sexo masculino, 13 anos + 3 meses, no início do tratamento,

Escoliose com + de 50 graus Cobb. Paciente e pais se recusando a fazer a cirurgia.

Intervalo entre o primeiro registro e o atual = 12 meses

Tratamento de escoliose sem cirurgia 2

 

Caso 4> Adolescente sexo feminino, 12 anos + 8 meses, no início do tratamento,

Escoliose com + de 50 graus Cobb. Paciente e pais se recusando a fazer a cirurgia.

Intervalo entre o primeiro registro e o atual = 17 meses

Tratamento de escoliose sem cirurgia 5

 

Todos estes resultados são preliminares. O tratamento de escoliose continua em andamento.

Somos o único centro de tratamento não cirúrgico da escoliose que detém a qualidade de especialista em toda a América Latina.

Defendemos a detecção precoce e o tratamento adequado desde o momento da sua detecção.

“Observar e Esperar não é tratar”

Defendemos que a cirurgia em escoliose idiopática só deve ser recomendada quando foram esgotados todos os recursos técnicos e humanos levando-se sempre em conta a segurança da saúde do paciente.

A escoliose não é o Cobb, título de post anterior, que destaca que não se pode tomar a decisão de realizar uma cirurgia com base apenas nos graus Cobb, isto é, no mínimo uma total falta de conhecimento da história natural da doença.

 

Ioga não cura a escoliose

Ioga não cura escoliose

Ioga não cura escoliose

O Projeto Escoliose tem como um de seus objetivos oferecer informação correta sobre a escoliose. Quando falamos de informação correta estamos querendo dizer que a informação seja baseada em evidências científicas de qualidade.

Estamos na era da informação, que hoje é encontrada com facilidade sobre todos os assuntos, especialmente na Internet. O problema é que não há filtros de qualidade, e se encontra de tudo.

Um dos exemplos de informação errônea, e que por conta disto poderia ter resultados negativos para o portador de escoliose, temos que em setembro de 2014, na Global Advanced in Health and Medicine, foi publicado um artigo com o titulo “Serial Case Reporting Yoga for Idiopathic and Degenerative Scoliosis”.

Em 4 de fevereiro, foi publicado no Blog do ISICO [um dos maiores centros de Tratamento conservador de Escoliose do mundo] um artigo onde são expostos os motivos que permitem confirmar o título deste post.

Tradução:

Acabou de ser publicada a nossa carta aos editores da revista que veiculou recentemente um estudo sobre a eficácia da YOGA no tratamento da escoliose, o artigo teve uma notável repercussão em diferentes meios de comunicação na Itália.

O estudo foi baseado numa amostra de pequeno número de pacientes que foram tratados com uma única posição fixa de Ioga por alguns minutos durante o dia, durante um período médio de cerca de sete meses. Os autores chegaram à conclusão de que a YOGA é eficaz no tratamento da escoliose apesar de inúmeras lacunas metodológicas na formulação e condução do trabalho.

Lemos o artigo com muito cuidado e percebemos imediatamente que os critérios pelos quais ele foi construído e conduzido não foram inteiramente razoáveis do ponto de vista da metodologia científica.

Decidimos então escrever uma carta para os editores da revista, diga-se (Global Advanced in Halth and Medicine) que havia publicado o artigo, analisando detalhadamente, ponto por ponto, todas as deficiências.

Por exemplo, eles incluíram pacientes com curvas de apenas 6° Cobb, que por definição, não pode ser considerado escoliose (na verdade deve haver pelo menos 10° de desvio lateral da coluna), além de terem levado em conta escolioses idiopáticas e provenientes de doenças degenerativas simultaneamente.  Sabemos que estas pertencem a dois mundos diferentes.

Mas a deficiência mais importante encontrada no estudo é o fato que o controle de tempo dos resultados foi pouco claro, com checagens de curto e meio prazo onde foram misturados entre si, e, em seguida, não receberam feedback no final do crescimento, aspecto essencial se levarmos em conta a escoliose idiopática do adolescente.

Nossa carta foi aceita pelo editor e apenas alguns dias atrás tivemos a confirmação da sua publicação no jornal. É importante notar que os próprios autores do estudo publicaram resposta à nossa carta, em que admitem todas as limitações do estudo destacadas por nós, prometendo a realização de futuros estudos mais precisos a partir do ponto de vista científico. Eles concluem que da parte deles o objetivo era apenas uma “tentativa de promover futuros estudos mais aprofundados mas que não dá nenhuma evidência da YOGA no tratamento da escoliose”.

De acordo com a evidência científica existente, dentro do tratamento conservador da escoliose, exercícios fisioterapêuticos específicos devem ser usados como primeiro passo terapêutico, em casos de escolioses suaves e não agressivas. O objetivo é impedir ou limitar a progressão da curva na puberdade, prevenir problemas respiratórios e possível dor vertebral assim como melhorar a estética do paciente. Os exercícios são baseados fundamentalmente na noção da auto-correção que o paciente aprende, e são especificamente criados para contrariar as deformidades nos três planos do espaço que acometem a coluna.

Diante do exposto, advém uma outra caraterística fundamental dos exercícios: a de serem “recomendados” especificamente para cada paciente, pois a escoliose é um “mundo à parte” e deve ser tratada com planos fisioterápicos e de forma individual. Finalmente, uma outra caraterística importante: devem ser colocados num contexto de atividades da vida diária.

A IOGA ao contrário, não teve provada cientificamente sua eficácia no tratamento conservador da escoliose. A IOGA é parte do grupo de técnicas alternativas do movimento alternativo que em alguns casos, especialmente nos Estados Unidos, também são usados com técnicas para o tratamento de problemas de saúde. E consiste em exercícios ou posições repetidas, que não incluem absolutamente a auto-correção e não são desenvolvidos especificamente para cada paciente. O único objetivo comum, é aumentar o efeito da estabilização do exercício, mas isso ainda precisa ser comprovado em termos científicos.

Tradução autorizada do Blog ISICO em Italiano.